Charlote explicou sua teoria: os et’s estavam fabricando drogas com hormônios para sabotar o desempenho sexual dos humanos. Uma poderosa fórmula que eles misturavam nos nossos drinques. Era uma teoria absurda, mas alguma coisa naquilo começou a me deixar paranóico. Na opinião de Charlote, eu certamente já tinha sido contaminado. O porquê dessa conspiração? Ela não sabia. Mas já tinha bolado um jeito de descobrir:
⎯ Vou usar você como cobaia.
E foi assim que começamos nosso estranho relacionamento. Charlote sempre chegava sem ser convidada e me envolvia naquele seu joguinho paranóico. Após uma longa bateria de experiências sexuais no banheiro do Café-Brechó, ela finalmente admitiu o fracasso da sua teoria. Não existiam broxantes. Não existiam et’s. Não existia conspiração alienígena. E o amor não tinha o mesmo gosto em um mundo tão sem graça.
Abalada com a decepção, Charlote nunca mais foi a mesma. Era como se uma parte dela tivesse cometido suicídio. Nossa relação virou um luto e decidimos nos separar. Primeiro, Charlote chorou. Uma única e grande lágrima preta de maquiagem, que ela apanhou com o dedo e lambeu. Depois pegou sua bolsa e seu drinque e aí se mandou.