Minha vida é o rascunho de uma fotonovela barata. Uma mistura explosiva de cenários histéricos, diálogos exagerados e personagens decadentes. Tô falando de garotas entediadas querendo virar lésbicas e alienígenas traficantes de esperma humano. Tô falando daquelas coisas que o mundo jogou no lixo. E que acabaram sendo despejadas bem aqui, na cidade de Retro-Plágeo.
Era mais ou menos nisso que eu tava viajando enquanto observava os auto-choques rasgando a noite lá fora.
Eu tava no Café-Brechó, uma espelunca nervosa e claustrofóbica que vendia roupas fedendo a naftalina, cafés turbinados e drinques elétricos.
Meu nome é Rango e o destino me esperava no caminho pro banheiro.
Foi a primeira vez que vi Charlote. Mas ela parecia estar naquela escada há anos, mofando, profetizando esta noite em que eu finalmente a enxergaria.